Da bancada de produção para uma das principais passarelas de moda do país. Em abril de 2026, peças desenvolvidas com participação da Cascudo Lab chegaram à Rio Fashion Week como parte do trabalho apresentado pela Piña em colaboração com a Blue Man. A produção foi realizada especialmente para o desfile e incluiu bolsas, acessórios, cordões, pingentes e cintos, elementos que depois apareceram incorporados aos looks apresentados no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Foi um daqueles projetos em que acompanhar o resultado final teve um significado diferente. Primeiro vimos cada componente tomando forma durante a produção. Depois, vimos as mesmas peças compondo looks diante do público, fotógrafos e profissionais da moda.
Piña e Blue Man juntas na passarela
A participação aconteceu dentro do desfile da Blue Man, realizado em 16 de abril durante o terceiro dia da Rio Fashion Week 2026. A marca retornava ao evento depois de cerca de uma década longe da semana de moda carioca. Batizada de Rota 72, a coleção revisitou a trajetória da Blue Man e sua ligação histórica com as praias brasileiras. O desfile misturou diferentes épocas da moda praia, referências ao cotidiano carioca, denim, estampas, biquínis, sungas e acessórios. Foi dentro dessa proposta que entrou a colaboração com a Piña. O próprio Rio Fashion Week destacou a parceria e definiu a Piña como uma marca carioca de estética periférica, responsável por levar à apresentação looks mais performáticos.

Quando um acessório começa no computador e termina na passarela

Antes de aparecerem nos looks, algumas das peças passaram por um processo completamente diferente daquele normalmente associado à confecção de moda. Elas começaram como objetos digitais. Entre os trabalhos realizados estavam elementos de corrente, grandes pingentes e componentes utilizados na construção dos acessórios. As formas foram pensadas para depois serem materializadas por impressão 3D e incorporadas às composições da Piña.

A impressão 3D permite justamente esse tipo de liberdade. Um acessório não precisa ficar limitado a componentes encontrados prontos no mercado. Forma, escala, espessura, textura e encaixes podem ser definidos digitalmente antes da fabricação. Neste projeto, isso abriu espaço para peças grandes e visualmente marcantes, incluindo correntes em diferentes cores e pingentes desenvolvidos para conversar com a identidade apresentada na coleção.
Bolsas também fizeram parte do desenvolvimento

Outro elemento que ganhou destaque na passarela foram as bolsas. A fabricação digital permite trabalhar estruturas rígidas e geometrias pouco convencionais, algo particularmente interessante quando o objetivo não é criar apenas um objeto funcional, mas também uma peça capaz de participar visualmente do look. Na passarela, os acessórios aparecem ao lado de tecidos, bordados, transparências e diferentes materiais. O contraste ajuda a mostrar como peças produzidas por processos digitais podem conviver com técnicas tradicionais dentro de uma mesma criação.
Tecnologia e moda não precisam ocupar espaços separados
A impressão 3D já é utilizada na moda há anos, principalmente em experimentações de alta-costura, calçados, acessórios e estruturas que seriam difíceis de fabricar pelos métodos tradicionais. Mas projetos como este mostram algo ainda mais interessante: a tecnologia está ficando acessível o suficiente para participar também da produção criativa independente. Uma marca pode desenvolver uma forma própria, testar proporções, modificar detalhes e fabricar pequenas quantidades sem necessariamente recorrer a ferramentas ou moldes industriais para cada novo componente. Isso aproxima quem domina fabricação digital de estilistas, designers e diretores criativos. E foi justamente desse encontro que nasceram as peças deste projeto.
Uma Rio Fashion Week marcada pelo encontro entre gerações
O contexto também tornou a participação especial. A Rio Fashion Week de 2026 marcou o retorno do evento depois de aproximadamente dez anos. A programação aconteceu entre 14 e 18 de abril no Píer Mauá e reuniu 20 marcas, incluindo nomes como Osklen, Salinas, Blue Man, Adidas, Misci, Isabela Capeto, Lucas Leão e Lenny Niemeyer. No caso da Blue Man, o retorno tinha ainda outro peso. A marca carioca atravessa mais de cinco décadas de história na moda praia brasileira. Na coleção apresentada em 2026, essa trajetória encontrou a linguagem contemporânea da Piña e de outros criadores envolvidos no projeto. No meio desse encontro entre moda, praia, cultura carioca e novas linguagens de produção estavam também peças fabricadas em impressão 3D.
Do nosso laboratório para a Rio Fashion Week
Para a Cascudo Lab, participar desse projeto representou algo maior do que simplesmente entregar mais uma produção. As peças começaram em nossa bancada, passaram pelo processo de fabricação e acabamento e seguiram para um ambiente completamente diferente daquele em que foram produzidas. Depois vieram as imagens da passarela. Ver acessórios que acompanhamos durante o desenvolvimento sendo utilizados em um desfile da Rio Fashion Week mostrou, na prática, até onde a fabricação digital pode chegar quando encontra um projeto criativo. Desta vez, a impressão 3D não estava nos bastidores. Estava na passarela.
